sexta-feira, 28 de março de 2008

post pra quem sabe, ficar de vez! (:

A gente continua vivendo, quase morre com uma artéria rompida, troca Jornalismo por Direito, leva Filosofia, esquece uns planos, começa outros, se encanta com a vida e com as pessoas, deixa que a vida e algumas pessoas se encantem conosco também.
Briga com os amigos, volta atrás, faz as pazes porque grandes amizades não devem acabar como acaba o dia. E continua indo, se saber ao certo pra onde.

E uma das coisas que eu não consigo evitar é dizer que há muito não escrevo aqui. Faço isso dando a mesma desculpa vaga e vazia de falta de tempo, sem nem saber se alguém acredita, mas acredito eu, querer convencer, antes de todos, a mim mesma!

Acho que o meu futuro é o ateísmo. Mas não de um futuro próximo, pois ainda há muito o quê se organizar... muito respeito e conversas antes de dormir com Deus - mesmo sabendo que parte dessas conversas é mais comigo do que com Ele. E isso me vem tão naturalmente que eu ignoro a ignorância de tanta gente que não se permite pensar aquilo que lhe intriga com medo de um pecado que nem sequer existe. Nisso, eu perguntei pro único ateu da minha turma de Filosofia como alguém podia ter uma fé em uma religião que a história mostra e a atualidade confirma ser tão vil. Ele me responde que medo do inferno pode fazer com as pessoas se cegem pra muita coisa. Mas pra quê esse medo, se nem o inferno existe?!

Meu horóscopo se antecipa e aconselha-me a não entrar em discussões polêmicas. “Futebol, política e religião não se discute, Elânia”. Sim, ele me diz meu nome. É um daqueles sites que diariamente mandam um boletim personalizado. E por mais que eu acho isso um máximo – essa estória de me chamar pelo o nome e tudo o mais -, vou dá um basta nesse horóscopo medíocre! A gente logo vê que além de conformista, ele nunca seria uma boa companhia pra mim, incapaz de conversas infinitas em mesas de bares com assuntos polêmicos e intelectuais. Blá!

[Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Do que eu pensava encontrar] Se eu quiser falar com Deus, Gilberto Gil

- Post dedicado a Bruna, por sempre me pedir palavras e por eu sempre prometê-las! (:

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

vida nova.

Estou lutando contra a verdade. Luta vã. Não há como recorrer, não há como vencer.
O jeito é esperar e aceitar a minha ruína, que na verdade, não me parece nem tão ruim assim.
Nas maiores derrotas podem estar os melhores prêmios. E assim vai ser.
Mas por céus, eu lembro dos detalhes como se tudo tivesse se passado há uma semana. Como é que já vai fazer um ano?
Recordo que vestia preto porque decidi que preto que dava sorte e não branco. Os meus anos com branco sempre foram parados – até demais.
No céu explodiam fogos de artifício e nós brindávamos a entrada no ano com champanhe e abraços.
Pé esquerdo levantado porque entrada de ano apenas o pé direito deve ter contato com o chão.
Mais dinheiro do que se costuma dá pro menino que vigia o carro e aqueles conselhos de estudar que eles ignoram e a gente insiste em ter.
As risadas, as piadas, lembro tudo.
Do vestido rosa da Marcela que combinava com a blusa do Diego.
De como não conseguíamos sair da pista de dança. Música boa. A noite terminando rápido.
E quando os primeiros raios do sol apareceram, estávamos eu, Diego e Marcely, descalçados, abraçados, pulando e cantando Tim:

quando a gente ama não pensa em dinheiro, só se quer amar, se quer amar, se quer amar”.

Dia claro: Rio do Caçari, deitar na areia e conversar.
Sem não estivesse tão frio, o plano de se jogar na água daria certo, pensávamos!
E a volta pra casa ouvindo Beatles.
E agora Ano Novo de novo.
Feliz 2008!

[As verdades e as quimeras.
Outras leis, outras pessoas.
Novo mundo que começa.
Nova raça. Outro destino.
Plano de melhores eras.] Desconhecido

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

sim, ele morreu.

Confesso que só acreditei porque passou na Globo News.
Por céus, já mataram tantas vezes o homem que não me parecia muito diferente dessa vez. Mas não. É verdade: ele morreu!
Morreu quando a maioria, desconfio, estava desacreditada dessa morte! Sei lá. Parecia até que ele ia se aliar à Dercy Gonçalves e virar pedra. Até porque, como se já disse no Jornalesmas (vide blog) era um imortal – independente de coroações da Academia Roraimense de Letras.
Mas não. Vasos ruins não quebram e ele não era vaso, era gente! Foi-se. E quando isso aconteceu os telefones não pararam de tocar, onde os ‘alôs’ faziam-se desnecessários: “morreu, criatura” era ao mesmo tempo a função fática e mensagem principal.
Dizem que a cidade estava deserta. Eu não sei, não saí, não tive aula. Sem aula na UERR e sem expediente por alguns dias nos órgãos estaduais.
Em alguns cantos soltaram fogos. Minha avó não conteve as lágrimas: nem de alegria, nem de tristeza, devo acrescentar. Vó Zefa nem sabe ao certo quem é Ottomar, mas por dizer que morreu ela se comover e rezar um terço.
Na televisão a apresentadora local usava paetê pink, o que pode-se considerar como uma gafe. Em situações de luto o ideal é que se usem roupas sóbrias em sinal de respeito – ainda não tive tempo de estudar isso na faculdade, mas já li a respeito, muito embora não me seja mais útil*!
Numa das reportagens uma senhora emocionada lamenta a perda de um grande homem, a perda de um grande governador, uma perda irreparável. Eu cá com meus botões considero muito provável um lamento na perda cargo comissionado.
Verdade seja dita: há sim pontos positivos a serem descritos se se levar em conta o que se foi feito pelo Estado, a luta por aquilo que se acreditava certo. É inegável que ele se tornou um grande político, como é inegável que estava no poder um homem de índole populista, perseguidora e com tendências de ditador.
No fim das contas, o finado Ottomar Pinto se assemelha muito com Getúlio Vargas. Era uma linha similar em que ambos saíram da vida pra entrar na história – e história de Roraima é história, mané!

* outrora justifico tal afirmação. Não é difícil imaginar :)

[Ninguém morre. As pessoas despertam do sonho da vida] Raul Seixas

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

longe.

Fui cometida de impulsos súbitos de escrever. Impulsos que vem a todos os instantes e que eu os repreendo ao máximo! É porque há muito o quê se contar e não posso fazer de modo desordenado. É preciso antes de tudo, de calma.
Se eu aparecesse aqui e jogasse de uma vez, insistiria em voltar e falar de novo as mesmas coisas, expondo os detalhes esquecidos. É que eu me prendo aos detalhes. Eu gosto dos detalhes e acho que a vida é feita essencialmente deles!
Bruna (vide blog) ainda me propôs uma corrente e prometi a ela e a mim que quando voltasse a cumpriria. Estou voltando e honrando minha palavra - por mais que essa expressão me soe antiquada, arcaica.

Mas enfim. Deixe-me explicar a idéia da corrente: você deve anotar significado da primeira palavra que acha num dicionário. Em seguida, no Google Imagens pega a primeira foto referente a palavra:



Longe, a grande distância, no espaço ou no tempo; de -: de grande distância, de muito; de – em-: com grandes intervalos de tempo ou espaço; adj. Remoto; distante; longínquo; interj. exprime aversão ou ordem de afastamento.


Eu sei, a regra era clara: primeira palavra, primeira imagem. E devo admitir-me como infratora, pois esta deve ser a terceira ou quarta imagem do Google Imagens.
Talvez esteja numa dimensão longe demais para me importar com certas regras. Talvez não.
A Bruna acredita que as palavras combinam com que as tirou e como cantou Frejat: “longe mais de tudo, eu tô longe demais”. Às vezes, longe de mim até. Sabe o que é isso? Mas tudo bem.
E Dezembro que mal começou logo, logo termina. Não está longe.

PS: Acorrento Sâmia, Denison e Karina.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

ontem.

- Faz um ano que a gente fez um o vestibular.
- Sério?- Humrum... Mas, sei lá. Nem parece. Parece até que foi ontem!
- Deve ser porque teve outro ontem.

;D

Sinto falta do tempo que escrevia aqui. Mas não esqueço, não esqueço jamais desse blog!

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

me sinto só, me sinto tão seu.

Ele desenhava seu nome num pedaço de papel e ela se lembrou do seu caderno com as últimas folhas rabiscadas.
- Por que essa mania de escrever nossos nomes? Será uma forma de afirmação?, perguntou mais a si que a ele.
- Li qualquer coisa semana passada – e levantando os olhos para vê-la, continuou – se não me engano, é uma reação de quem se sente só.
E em seguida veio o silêncio. Ele voltou sua concetração nos desenhos do seu nome e ela começou a escrever o dela. E os dois, lado a lado, continuaram sozinhos.

[Digam o que disseremo mal do século é a solidão
Cada um de nós imerso em sua própria arrogância
Esperando por um pouco de afeição] Esperando por mim, Legião Urbana

terça-feira, 9 de outubro de 2007

matando a saudade.

Amanhã faz um mês que eu apareci aqui dizendo que ia postar regulamente. E olha que eu tinha mesmo essa intenção, afinal de contas, situações simpáticas acontecem o tempo todo, sem falar que preciso escrever, sabe? Preciso!

Não porque a minha futura profissão exige ou porque é uma coisa me agrada. Na verdade é bem maior que os dois motivos, embora eles sejam válidos. Descobri que preciso escrever pra organizar as minhas idéias e entender certas coisas.

Só quando escrevo que saio de mim e me dou conta do que acontece ao meu redor. Quando escrevo tomo uma dimensão que não é minha e me tenho como uma personagem desse filme que é a vida. Mas só quando escrevo.

É por isso que os meus cadernos são rabiscados de garranchos incompreensíveis.

No instante que os risquei, eu queria entender alguma coisa, mas com medo de ser descoberta por essas descobertas que são só minhas, eu as riscos de volta, para que ninguém as saiba.

É tão estranho esse lance da gente tentar se entender.

Qualquer pessoa pode estudar por uma semana sobre a Segunda Guerra Mundial e falar perfeitamente sobre as causas, os conflitos, a situação social, econômica, cultural, o caralho a quatro (desculpe o palavrão, mas nos últimos tempos eles entraram de uma forma no meu vocabulário!). E, perceba: estamos falando da Segunda Guerra, que você não foi antes, durante ou depois nos locais em que ela aconteceu, nem teve acesso aos documentos secretos, tampouco conversou com uma pessoa de participação direta, ou seja, o que você realmente sabe? E ainda assim, de um jeito fantástico e assombroso, toma ares de entendido e fala com toda propriedade, defendendo de forma enfática um ponto de vista.

Mas quanto a ti, que és a única pessoa que saberá exatamente como foi cada instante de vida, não se conhece, nem tem condições pra saber como se sentiu, porque sabe-se lá dos fatores que lhe influenciou, sejam elas razões inconscientes ou pressões silenciosas da sociedade na forma desses acordos pré-estabelecidos.

É por isso que eu tenho evitado tomar partidos e tenho saído de mim e entrado num ângulo além, pra buscar entender, mesmo que de forma vil, quem sou eu. Porque, de verdade, eu não sei!

Ps: Dessa vez sem falsas promessas. Se um dia der certo, eu volto! ;*